"Quando o coração tem uma missão, o corpo ganha vigor"

Alegria de uns ( dos traumatos), tristeza de outros.

Crowie

Uns dias atrás, enquanto arrumava meus vídeos no youtube, deparei-me com uma série de vídeos do Craig Alexander, onde fala da preparação para Kona.

Série divida em 5 partes, vale a pena conferir.




















Pego no flagra

Pego no flagra...fazendo um pipi na bike hehe.


Um dia na vida de Eneko Llanos

Bravotriathlon.com

O blog ganhou um presente do Papai Noel e está de endereço novo: http://www.bravotriathlon.com .



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Aproveito a oportunidade e desejo a todos os amigos um feliz natal.

A preparação para o Iron em números




Enquanto atualizava alguns treinos no Trainingpeaks, resolvi tirar um report dos treinos desde o marco zero da preparação do Ironpunta, 23/05/2011, então para quem gosta de números, aí vai.

Seriam 6 meses de preparação, mas acabei ficando 1 mês de molho, então as "continhas" foram feitas em cima de 5 meses.



Swim
Tempo: 49h35'
Distância: 143 km
min/100m: 2'04"
Média mês: 28.6 km

Bike
Tempo: 105h54'
Distância: 2878 km
Média: 27.18 km/h
Média mês: 575.6 km

Run
Tempo: 48h01'
Distância: 525km
Pace: 05'29" min/km
Média mês: 105km

Musculação
Tempo: 30h35'

Total
Tempo: 234h05'
Distância: 3546 km
Horas Semanais Média: 11h42'15"

Conclusões, ia fazer uma para cada modalidade, mas o último dado, ao menos para mim diz muita coisa:

- Se o cara vem de uma base razoável, com duas horinhas por dia em média de treino, seis dias na semana, acho que posso concluir, apesar do meu humilde conhecimento sobre o tema - VAI QUE DÁ!!!!


Clip Iron Punta 2011 - Argentina Xtreme

Como foi 2011

Comecei a retroceder as postagens do blog, que por sinal foram poucos em 2011 :>) e notei algo que tinha passado desapercebido, faltou apenas fazer um Ultraman para disputar todas as distâncias clássicas que o triathlon possui, se é que o Utraman podemos chamar de clássico. O ano de 2011 foi muito bom.

Acho que o ano merece um pequeno "remember"!!!

O ano começou em fevereiro, com que eu chamo a prova do quintal de casa, pois o ciclismo e corrida passa a 50m da casa da sogra. Triathlon do Laranjal com a distância Sprint. Foi meu melhor tempo na distância até agora 1h15'52", só não foi melhor pois minha natação foi ruim, na verdade péssima.



Apesar de não ser a distância que gosto, a prova é muito boa, pois está toda a parceria do triathlon da região, sem falar nos familiares e amigos que vão prestigiar a prova.

Em março o desafio deu-se em terras Uruguaias com Halfpunta. Um 70.3 que virou um duathlon terrestre de longa distância, pois no dia da prova, a organização alegou que não tinha como dar segurança aos atletas pelas condições do mar.



Excelente prova, com um ciclismo desafiador pelas duas duras subidas e o vento tradicional do local. Infelizmente meu tendão não estava preparado para o 5.4km/90km/21km e após a prova voltei a sentir a inflamação no iliotibial.

Um avanço rápido pelo inverno e cheguei ao mês setembro participando de um triathlon de velocidade. É o tipo de prova que sempre lembro de pouca coisa, as únicas lembranças são de sempre estar ofegante, com o coração lá no goela.



No final de setembro o tratamento do cálculo renal me afastou completamente durante 25 dias das atividades físicas. Dez dias no hospital em cima de uma cama, outros dez com uma sonda externa e os últimos 5 até tirar a dreno interno. A prova alvo do ano (Ironpunta) ficou em "check". Se não fosse pela base feita no inverno, o Iron tinha ido por água abaixo.

Lembro como fosse hoje, fui pegar o resultado da ressonância para levar para médico com a mochila nas costas, com o intuito de voltar aos treinos imediatamente após saber o resultado. E deu tudo certo, naquela noite já dei as braçadas de retorno.

Parecia haver uma conspiração, na primeiro final de semana de novembro sofri uma queda de bike (não contem para ninguém, mas foi culpa do Michel hehe). Tive alguns ferimentos na perna direita, mas seguimos o treino. Paramos no meio da caminho numa farmácia para um limpeza dos machucados e mais pedal. Mas como missão dada é missão cumprida :>) ainda fui terminar o dia com 10km de corrida.

O tratamento emergencial falhou numa das feridas. Ela infeccionou e acabei ficando longe das piscinas durante 14 dias para tentar acelerar o processo de cicatrização.

Mas no meio destes dias, tive um "recaída", o vício falou mais alto e fui a Osório, novo paraíso do triathlon gaúcho para uma prova olímpica. O tempo foi 5' melhor que o ano anterior, sendo que fiz a prova sem forçar muito. Era o que precisava para adquirir a confiança novamente.

Doze dias atrás estava completando o Ironpunta, que o destino tentou de algumas formas tornar o sonho mais difícil ou até impossível nesse ano. Como o evento é recente, se clicares na postagem anterior, tudo sobre ele.



Barba, cabelo e bigode, do Fast Triathlon ao Iron em 2011.

Saindo um pouco da esfera do Tri, fiz duas provas de ciclismo. Uma delas bem especial, marcou o retorno do amigo Álvaro as competições após longos anos afastado. O brabo é que na segunda prova, ele já me largou na primeira subida hehe.



Não menos importante, participei da criação de uma equipe de triathlon, muito provável a primeira do "extremo" sul do estado. Quem quiser conhecer mais aqui.

E 2012, o que será dele? Quem sabe no próximo post uma ideia do que vem por aí!





Ironpunta 2011

Como o óbvio é começar pelo início, então vou chover no molhado, partindo do começo. Sempre imaginei que este relato teria muita dor, sofrimento e um final feliz. Mas acho que fiz direitinho o dever de casa nos seis meses que antecederam a prova e sobrou só o final feliz.

Saí rumo a Punta na segunda 28/11, viagem muito tranquila. São quase 530km desérticos até lá.

Na terça cedinho fiz o reconhecimento do local da maratona e a tarde treino de natação no local da prova. Na quarta o tempo virou, e o vento estava a 60km/h com rajadas de 85km/h. Se arrependimento matasse, tinha batido as botas neste dia, pois peguei a bike para um treino e só passei trabalho. Até tomei um chopp a noite para ver se esquecia do vento hehe.



Mas a preocupação com o vento não passou, e todo acesso a internet consultava o windguru para ver o intensidade no dia da prova.

Quinta o tempo deu uma melhorada e soltei pernas com uma corrida. Na sexta, as últimas braçadas antes do dia D.



Sábado, dia de almoço no Conrad e congresso técnico. Tive a oportunidade de bater um papo com Newton, vencedor da prova e o Vagner da Mundotri.

Quando voltei para o hotel e comecei a organizar as sacolas, adesivar capacete e bike começou a cair a ficha, não tinha volta.

Dormi muito pouco, mas como "apaguei" nos outros dias, estava tranquilo em relação ao sono.

Despertei 04:30, reunião com o pessoal, despachei todo mundo, café no quarto e parti para o local da prova.

Aquela ansiedade que atormentou minha noite de sono desapareceu, eu e a Vivian fomos caminhando até o estacionamento do Conrad, onde estava montada a área de transição. No trajeto rolou um papo descontraído com direito a fotos pelo caminho.



Perto do check-in notei que meu cateye não estava funcionando. Num treino com o Michel aconteceu o mesmo, simplesmente parou, dei um reset e voltou a funcionar. Mas desta vez não adiantou. Pedi a Vivian para voltar ao Hotel e pegar o GPS de pulso, para não "navegar" as escuras.

Nem este percalço tirou-me a calma, não pensava mais adiante que o próximo passo. Um aquecimento rápido na água, foto com o Michel, beijo de despedida da amada e.......dada a largada.


Saí do meio para o fim, até a primeira bóia tudo jóia, sem maiores intercorrências. 36' passados estava saindo da água para contornar o cone e ir para a segunda volta. Tomei um copo de água para tirar o sal da boca, uma ajeitada no óculos com todo o carinho e mar novamente. Nesta volta perdi um pouco de tempo na última perna que nos trazia para a praia, pois a visibilidade era quase nula em virtude do sol que nascia atrás do pórtico.



O vídeo não deixa mentir o tempo: 1h14'50". De 5' a 10' menos do que eu esperava. O dia tinha começado bem.



Fiz uma transição tranquila, perdi um pouco de tempo colocando um protetor solar em spray, que ao longo da prova mostrou-se ineficiente. Fui para o pedal com praticamente 5' cravados de transição.



Aí que o diabo começou a colocar os chifres de fora, o vento soprava forte. Ida contra, com a volta a favor.
A estratégia era de não ultrapassar 160bpm para não chegar quebrado para a corrida. Contra o vento para manter os bpm planejados não conseguia ir a mais de 25km/h.



E o diabo dá mais uma cutucada, tu começa a ser ultrapassado e o sangue começa a ferver, perna sobrando e o instinto falando alto, acelera essa M....daí a cabeça faz a diferença, - calma Bravo é só o início, faz o planejado, o que tu treinou, pois tem muito chão ainda, e claro, neste caso, a cabeça não precisa ser de um gênio, basta não ser de um idiota.

Um pouco antes dos 80km lembro de ter visto o gps a última vez ligado e a média em torno de 31km/h. A estratégia montada estava dando bons frutos. Aos poucos comecei a recuperar as posições perdidas no início e ganhar outras. Olhando os resultados  saí da água na 74ª posição e entreguei a bike na 56º.



Terminei o ciclismo com média de 30.08km/h. Conclusão que dá para tirar, o vento quebrou um bocado na segunda metade do ciclismo. Apesar de ter perdido 1km na média, ganhei 18 posições. (não contando os que me passaram durante a primeira parte do ciclismo)

Fato triste, é um pedal com distância de IRONMAN com 160km. Lástima maior é ser avisado durante a prova (minha fotógrafa não perdeu nada hehe). Não tenho dado sorte nas provas que faço fora dos domínios do estado.



Cheguei na transição, e lembrei de uma frase do Kiko - a única coisa que pode me tirar da prova é um problema mecânico na bike. Bah, era só chegar agora hehe.



Pelo horário que vi na máquina fotográfica, entre a chegada e saída da transição levei uns 6'. Minha meta para o último trecho era tentar correr ao menos 21km. Após o halfpunta em março, voltei a ter problemas com o iliotibial, o que acarretou num retorno bem conservador a corrida. E quando estaria no ciclo de maior volume, tive que tratar o cálculo renal, resumindo a corrida ia ser uma incógnita, pois nos treinos os km não passaram de 17.



Parti tranquilo para as quatro voltas, os batimentos estavam estabilizados e as pernas respondendo bem aos estímulos. O circuito era todo plano, a beira-mar. O vento estava tão forte que incomodava até na corrida. A cada posto de hidratação, dava uma uma caminhada para hidratar-me e comer.



Quando fechei a meia-maratona e senti que tinha perna, acho que foi um dos melhores momentos na prova. A Vivian perguntando - tu tá bem? Simmmmmmmmmmm e só faltam duas e vou terminar correndo.



Entrei para os últimos 10.5km muito feliz, dizia para mim mesmo - Seu louco vais conseguir correr a maratona inteira, acho que só não ria sozinho pois as coxas a essa altura do campeonato iam de mal a pior.



Os últimos 5km até o retorno que íamos contra o vento foram sofridos demais. No retorno meti o último gel para dentro da carcaça, olhei o polar 10h36' de prova. Era o momento de deixar todo o conservadorismo de lado, e ser agressivo, tentar chegar abaixo das 11hs.



Nosso corpo é uma máquina incrível e a cabeça nem se fala. Sabe-se lá de onde o cara consegue tirar forças para dar uma acelerada após 200km rodados.



No último km, quando vi que a batalha contra o relógio estava perdida, soltei os gambitos. O dia passou voando, rápido demais, tentei aproveitar ao máximo aqueles últimos momentos. O esforço dos últimos seis meses estavam prestes a se concretizar, chegar ao fim de um Ironman.



Cronometragem oficial: 11h03'04" - Swim+T1:1h19'49" - Bike: 5h19'10" - Bike+T2: 4h24'05"

Resultado muito melhor do que eu esperava. Divagar sobre se não tivesse o cálculo renal, se não tivesse caído de bike e se o ciclismo tivesse 180km, mas "se" não existe, não vale a pena gastar tempo com isso. É mais fácil fazer outro sem esses fatores hehe.

Obrigado ao André que deixou a máquina pronta para a batalha e sempre me tranquilizou quando retornava um e-mail com o treino da semana com a seguinte expressão: A semana foi quebrada, perdi tal e tal treino.

Aos amigos que me acompanharam durante os treinos, deixando eles menos cruéis.



E minha amada, que aguentou por longos meses o mesmo papo sempre e me cuidou na minha enfermidade.