"Quando o coração tem uma missão, o corpo ganha vigor"

Pan Americano em Porto de Galinhas

Quase todos já devem ter lido a respeito do desastre que foi a organização do Pan Americano de Triathlon de Longa Distância realizado em Porto de Galinhas, de todo o descaso e desrespeito com os atletas, colocando centenas de vidas em perigo.

Citando uma frase que recebi por email, resume bem a questão " a organização da prova não merece nosso reconhecimento", então vou compartilhar com os amigos minha epopéia na prova e tentar deixar um pouco de lado o caos que foi a organização da prova.

Cheguei no destino na Quarta (24/11) a tarde. Fui direto ao local da natação, e um susto logo de cara, um mar com muitas ondas e bem mexido, não tive coragem de cair na água sozinho.

Na quinta fui caminhando pelo praia até o "centrinho", cerca de 2km do hotel, lá o cenário é totalmente diferente, sem ondas e águas cristalinas. Nadei uns quinze minutos, observandos corais, recifes e peixes, lugar sensacional!!! Pensei na hora, os caras não vão fazer essa burrice de fazer a natação naquele lugar inóspito. A foto abaixo diz tudo:


Ainda na quinta, na parte da tarde, encontrei os organzidores(tá arruaceiros, foi...que me processem) da prova na praia e ainda estavam procurando o melhor lugar para fazer a largada, e falei que era a dois km daqui, mas disseram que seria ali mesmo. Entrei com eles no mar para umas braçadas, foi o prenúncio do sufoco que seria no domingo.
Para piorar, no sábado a tarde durante o congresso técnico foi informado que as distâncias seriam menores do que o informado. As novas distâncias seriam 2250m de natação, 60km de ciclismo e 15km de corrida. Detalhe, 35% do ciclismo seria em blocos de concretos, em piores condições do que encontramos aqui na prova do Laranjal, pobre das minhas rodas novas.



No domingo 05:30 foi dada a largada, e talvez por força do destino o mar estava em condições piores que dos dias anteriores. Me posicionei junto com triatletas locais que tinham um bom conhecimento do mar da região, e foi o que me salvou. Largamos fazendo um arco por causa da forte correnteza, passando a dura arrebentação a correnteza nos largou diretamente na primeira bóia.

O mar estava muito mexido, o que dificultava enchergar as bóias. Nadei forte o tempo inteiro, mas não visando um tempo bom e sim sair vivo e o mais rápido possível daquele pandemônio.

Na terceira volta já estava exausto, e ainda precisava passar a arrebentação. Sem forças tomei alguns caudos e por consequência uma hidratação forçada com água do mar. Saí totalmenteo tonto, com as panturrilhas travadas. Não consegui nem trotar até a transição, restou ir caminhando.

Tentei reagrupar forças no início do pedal, pensando "vamos lá, o pior já passou", mas o corpo não respondia. Ainda dividia o percurso com motos, carros, ônibus e caminhões, sem falar nos blocos de concretos. Com 2 voltas feitas, eu tinha incríveis 29km/h de média. Aos poucos as coisas foram melhorando e o pedal fluiu melhor, terminei a etapa com 31,5km/h com 63km percorridos.


Na corrida o bicho pegou de vez, me arrastei pelos 15km. Foi a primeira vez que caminhei numa prova,
parte muscular do peito doía muito devido ao esfoço da natação, sem falar nas panturrilhas que toda hora ameaçavam travar. Em alguns momentos tive que correr estilo asa-delta rsrs, a parte interna dos braços e axilas estavam em carne viva, devido ao sal do mar.


Fechei a prova em 4h40min, talvez bem acima do que poderia fazer em condições normais. Mas como o talvez é subjetivo, foi o máximo que deu para fazer. Em números, no age group 14/36. 

Agradeço o apoio de todos, pois foi fundamental para manter-me motivado e confiante para vencer essa batalha.

Sonhando com mais(talvez muito mais) para o próximo desafio, deixo 3 vídeos da prova.










8 comentários:

Pablo, eu estive lá exatamente um anoa trás eu a primeira coisa que pensei quando me falastes dolocal da prova foi: mas onde vai ser feita a prova? Mas como era um evento de nível internacional eu achava que devia existir um local que eu não conhecia. Mas parece que não existe mesmo e era nadar num local ruim, pedalar em um local pior ainda e na hora de correr...bom, pensa que poderia ser pior, poderiam ter colocado vocês pra correr na beira da praia que é areia fofa e tem uma baita caída. Parece que ano que vem vai ser assim..

Completar essa prova ja foi uma grande vitória Pablo.
Pelo que andei lendo, muitos nem entraram na aguá e outros desistiram logo na natação.
Realmente é dificil de tu analisar o tempo, mas deu pra ver que tua colocação dentro do age group foi muito boa mesmo, isso é um fator a se levar em conta.
Acredito que prova pior do que essa tu nunca mais vais competir, porque pra ser pior do que foi essa ....
Espero que pelo menos tenhas curtido esse lugar lindo com a patroa.
Grande abraço.

Conheço o lugar...já surfei aí...
Fica a lição de usar vaselina nas partes de atrito, como pescoço, axilas, virilhas...
Baita prova, cara!!! Só de completar o percurso de natação já justifica teu nome: és um Bravo!!!
E o ciclismo??? Dá pena das rodas, né???
Vamos fugir de eventos da CBTri!!!

Gde abc!!!

Fala Pablo !
Que roubada de prova, mas que show continuar até o fim numa enrascada dessas... Que diabos é isso de pedalar em paralelepipedo ? Isso existe ? Eu não aguento passar naquela lajota de jurere, imagina isso...

Abraço e parabéns pela raça.

Pelo menos sobrevivesse, depois disso podes até te candidatar a uma vaga no BOPE!!
E vamos a tramanda velho!!!

Graaande Incansável Pablo!
Bueno, já tinha lido a respeito dos problemas da prova, mas não imaginava que a bagunça foi tão grande. Só de olhar aquele mar aberto, as ondas e o vento já assusta!
Mas um Panamericano é sempre um Panamericano, parabéns!!!

Show Pablo, missão cumprida guerreiro, parabéns !!!!!

Salve, salve. Q coragem de nao desistir. parabens. Floripa 2012? Ja to vendo .....

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